MG Research

Timectomia e miastenia gravis

O Dr. Kevin C. O'Connor é Professor Associado de Neurologia e Imunobiologia na Escola de Medicina da Universidade de Yale e Vice-Presidente do Conselho Consultivo Científico da MGFA.

A timectomia é um procedimento para remover o timo, uma pequena glândula localizada atrás do esterno (osso do peito) que auxilia no desenvolvimento do sistema imunológico. Na maioria das pessoas, o timo desempenha sua função durante a juventude, ajudando no desenvolvimento das células T à medida que o corpo amadurece. Com o envelhecimento, o timo sofre involução (diminui de tamanho), tornando-se essencialmente inativo.

Em algumas pessoas, no entanto, o timo aumenta de tamanho, possivelmente devido a uma combinação de fatores genéticos e ambientais, mas as causas não são totalmente compreendidas. O aumento de tamanho pode ser devido a um infiltrado de linfócitos (células imunes), uma condição chamada hiperplasia linfofolicular tímica. Os linfócitos infiltrantes frequentemente se organizam da mesma forma que nos linfonodos. Em alguns pacientes com miastenia gravis (MG), esses linfócitos infiltrantes são autorreativos e incluem aqueles que produzem autoanticorpos contra o receptor de acetilcolina (AChR), que causam a MG.

Cerca de 60 a 70% dos pacientes com miastenia gravis (MG) do tipo AChR apresentam hiperplasia linfofolicular tímica. Nesses pacientes, fica evidente que o timo abriga células relacionadas à patologia da MG. Devido a essa correlação, a timectomia tem sido recomendada para alguns pacientes. Se o timo abriga células que causam os sintomas da MG, sua remoção também deveria remover as células causadoras da doença. No entanto, os médicos têm observado que os pacientes submetidos à timectomia demoram a se sentir melhor e que os sintomas nunca desaparecem completamente.

In Pesquisa publicada recentemente nos Anais do A Academia Nacional de Ciências, colegas e membros do meu laboratório se propuseram a descobrir o porquê. Sabemos que as células imunes – células B e T – amadurecem nos linfonodos e depois se dispersam por todo o corpo. Planejamos nosso estudo para testar se esse mesmo processo ocorria com as células B infiltrantes do timo em pacientes com miastenia gravis.

Para o estudo, coletamos amostras de sangue e tecido no momento da timectomia dos pacientes. Em seguida, coletamos sangue novamente anos depois. Utilizando uma abordagem sofisticada que nos permitiu identificar clones (cópias de uma célula B original), encontramos clones de células B no timo e no sangue no momento da timectomia. Um e dois anos depois, os clones ainda estavam presentes no sangue dos pacientes.

Nossa interpretação é que esses clones persistentes de células B, presentes no sangue após a timectomia, contribuem para a doença em pacientes com miastenia gravis. Assim, a remoção do timo melhora a carga da doença, mas não a elimina; sugerindo que os pacientes precisarão de outras opções de tratamento para controlar a doença.

*Este artigo compartilha resultados de um estudo e não se destina a substituir o aconselhamento médico. Consulte seu médico se tiver dúvidas sobre como as conclusões deste estudo podem afetar seu tratamento individual.