O sono é vital para o funcionamento biológico, pois impacta a saúde física e mental. A quantidade essencial de sono varia com a idade. Recomenda-se que um adulto saudável durma de 7 a 9 horas por noite. No entanto, o tempo total de sono que uma pessoa consegue dedicar diariamente pode variar de acordo com os compromissos familiares e profissionais, ou ser influenciado por fatores comportamentais. À medida que envelhecemos, a quantidade de sono necessária não muda, mas a qualidade sim. De modo geral, dormir mal pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, como infarto, arritmias, insuficiência cardíaca, hipertensão e acidente vascular cerebral (AVC). É importante também compreender o efeito que comorbidades podem ter sobre o sono.
Quando você dorme, seu corpo passa por dois estágios principais do sono: o sono não REM (NREM) e o sono REM (movimento rápido dos olhos). O sono NREM é subdividido em estágios N1 e N2 (sono leve) e N3 (sono profundo). Esses estágios têm funções específicas. Durante o sono NREM, seu corpo repara e regenera tecidos, fortalece o sistema imunológico e constrói ossos e músculos. Em outras palavras, o corpo se restaura. É no sono REM que você sonha. Aqui, seu corpo trabalha na consolidação de memórias e na melhora do humor. É aqui que a mente se restaura.
Com o passar dos anos, a arquitetura do sono se altera. A quantidade de sono profundo e sono REM diminui, o que resulta em um sono mais leve e aumenta o risco de fragmentação do sono. Além disso, maus hábitos de sono, certos medicamentos e distúrbios do sono subjacentes podem afetar a quantidade e a qualidade de cada estágio do sono, influenciando o bem-estar físico e emocional.
Há poucas pesquisas sobre o impacto direto da miastenia gravis (MG) no sono. No entanto, existe uma sobreposição de alguns sintomas da MG com sintomas comuns de distúrbios do sono, como fadiga diurna, sonolência, movimentos involuntários das pernas durante o sono e dor. As queixas de sono mais comuns são dificuldade para adormecer e/ou manter o sono, acordar sem se sentir revigorado e sonolência diurna. Condições médicas que podem causar ou contribuir para esses sintomas incluem insônia, apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, narcolepsia, dor, depressão, ansiedade e efeitos colaterais de medicamentos, entre outras.
Devido à escassez de literatura sobre o assunto, muitas vezes esses sintomas são atribuídos a um processo neurológico em vez de uma doença neuromuscular. Independentemente disso, avaliar e tratar possíveis distúrbios do sono subjacentes melhorará o funcionamento geral.
Nosso ciclo sono-vigília é influenciado por sinais químicos de neurotransmissores no cérebro. Uma alteração nesse equilíbrio pode nos deixar mais despertos ou sonolentos. Fatores externos também podem afetar esse equilíbrio — álcool, cafeína, tabagismo e medicamentos, para citar alguns. Esteroides, como a prednisona, são comumente prescritos para pacientes com miastenia gravis. Eles podem afetar o humor, deixando a pessoa mais irritável, deprimida ou ansiosa. Os esteroides também podem causar agitação, dificultando o sono.
Uma vez que você esteja dormindo, também pode apresentar mais episódios de despertar. Por isso, recomenda-se tomar a dose o mais longe possível da hora de dormir. Os benzodiazepínicos são frequentemente prescritos como adjuvantes no tratamento da ansiedade. Eles podem ajudar você a adormecer mais rápido e por mais tempo, mas diminuem a quantidade de sono profundo. Você também pode sentir sonolência diurna, mesmo dormindo o suficiente à noite. Uma noite de sono reparadora significa alcançar um equilíbrio entre boa qualidade e quantidade adequada de sono, em vez de focar apenas em um dos dois.
Uma boa higiene do sono permite que você durma o suficiente e com qualidade. Estabeleça horários regulares para dormir e acordar todos os dias da semana, reservando entre 7 e 9 horas de sono. Imagine seu quarto como um espaço de tranquilidade e relaxamento. Livre-se de objetos desnecessários e certifique-se de que sua cama e travesseiros sejam confortáveis. Crie uma rotina de relaxamento antes de dormir, seja escovando os dentes e tomando um banho quente ou lendo um livro e ouvindo música suave. Isso permite que seu corpo relaxe e se prepare para o sono.
O ambiente do seu quarto também é importante. Uma temperatura mais amena favorece o sono. A luz é um dos reguladores do nosso ciclo sono-vigília. Cortinas blackout permitem que a produção de melatonina pelo corpo aumente, estimulando o sono. A alimentação também pode influenciar o sono. Evite o consumo de álcool perto da hora de dormir ou refeições pesadas nas 2 a 3 horas que antecedem a hora de deitar. Apesar dessas medidas, se o sono continuar desregulado e os sintomas de fadiga diurna e sonolência persistirem, recomenda-se procurar ajuda médica.
Repouso e sono são essenciais para pacientes com miastenia gravis (MG). Garantir um sono de qualidade permite que o corpo desempenhe sua função vital de reparação e recuperação. Melhorar o humor, diminuir o limiar da dor e reduzir a fadiga diurna contribui para um melhor funcionamento durante o dia e, consequentemente, para a qualidade de vida geral do paciente com MG. Recomendo que você converse com seu médico sobre seus hábitos de sono e quaisquer preocupações relacionadas ao sono. Uma avaliação mais aprofundada, incluindo anamnese detalhada, exame físico, revisão da medicação e estudo do sono, pode ser necessária.
