Histórias de convivência com a MG

A Força Interior: Minha Jornada Através da Gravidez e da Miastenia Gravis

Para quem não me conhece, meu nome é Kathalina. Tenho 28 anos, sou enfermeira formada e trabalho no pronto-socorro. Fui diagnosticada com Miastenia Gravis (MG) em 2023. Há dois anos, compartilhei minha história para conscientizar as pessoas sobre a doença. Hoje, compartilho um capítulo que me transformou para sempre.

Um começo promissor e uma realidade de alto risco


Em janeiro passado, descobri que estava grávida. Depois de um aborto espontâneo no ano anterior, o teste positivo trouxe uma alegria imensa, mas também medo. A gravidez com miastenia gravis é considerada de alto risco. Tive que interromper o ensaio clínico ao qual estava respondendo bem e me preparar para o desconhecido. Continuei trabalhando em tempo integral, em turnos de 12 horas no pronto-socorro, tentando manter a normalidade. Mas, com o passar das semanas, a fadiga aumentou. Tarefas rotineiras como pentear o cabelo ou aplicar um soro no trabalho se tornaram lembretes diários das minhas limitações. No segundo trimestre, fui diagnosticada com hipertensão gestacional. Isso foi aterrorizante, porque se evoluísse para pré-eclâmpsia, eu não poderia receber sulfato de magnésio, que é o tratamento para pré-eclâmpsia devido à minha miastenia gravis. Meus cuidados se tornaram um constante exercício de equilíbrio.

O ponto de ruptura

No terceiro trimestre, eu estava exausta como nunca antes. Com 32 semanas e 4 dias, tudo mudou. Um exame de bem-estar fetal de rotina resultou na minha internação com a notícia de que eu não sairia do hospital sem ter meu bebê. Apesar da medicação, minha pressão arterial não estabilizava. No dia 9 de agosto, o parto foi induzido. O trabalho de parto durou quase 48 horas. Mesmo com a medicação para miastenia gravis, meu corpo parecia estar entrando em colapso. Lembro-me de tentar levantar a mão e ela simplesmente cair, como se não me pertencesse. Eu questionei meu corpo. Eu questionei a mim mesma.

O Milagre da Força

Mas, de alguma forma… meu corpo continuou funcionando. Fiz força por uma hora e, contra todas as expectativas, dei à luz minha filha por parto normal. Foi um momento surreal. O mesmo corpo que parecia tão frágil era forte o suficiente para trazer uma vida ao mundo. Minha filha nasceu com 33 semanas e passou 27 dias na UTI neonatal. Sair do hospital sem ela foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Mesmo assim, todos os dias eu voltava, dedicando toda a força que me restava para ser mãe dela.

O caminho para a recuperação

O período pós-parto não foi o alívio que eu esperava. Me sentia fraca física e emocionalmente, me perguntando se essa versão exausta de mim seria quem eu seria dali em diante. Era solitário, porque se fala muito pouco sobre o peso físico e mental da miastenia gravis durante a gravidez e o pós-parto. Mas, aos poucos, comecei a reencontrar partes de mim e minha força. Meu marido e minha família me apoiaram durante esse período. Hoje, minha filha tem 9 meses e está saudável, e eu voltei a trabalhar. Não sou 100% como era antes, mas estou perto, e "perto" já é uma vitória.


Ao compartilhar isso, espero que alguém que esteja passando por uma situação semelhante se sinta visto, compreendido e menos sozinho.