Por Mary Bolster
Como funciona a terapia com células CAR T?
A terapia com células T com receptor de antígeno quimérico (CAR) é uma imunoterapia, originalmente desenvolvida para tratar certos tipos de câncer e agora em fase de testes como terapia para doenças autoimunes.
As células T são células imunológicas que ocorrem naturalmente no corpo. Sua função é combater agentes infecciosos como bactérias, vírus e até tumores.
Na terapia com células CAR-T, os médicos coletam as células T do paciente e as modificam com um receptor de antígeno quimérico – usando DNA ou RNA – e as devolvem ao corpo do paciente, onde destroem células imunológicas como as células B.
O mecanismo de direcionamento em células modificadas por DNA é mais permanente, afirma Christina Ulane, MD, professora associada de neurologia no Columbia University Irving Medical Center, que participa de dois ensaios clínicos com células CAR-T em andamento. Quando essas células são reintroduzidas no corpo, elas se expandem e crescem. Células modificadas por RNA não são permanentes e não se expandem indefinidamente.
“Na prática, isso significa que os efeitos da terapia de DNA são geralmente mais robustos e duradouros, podendo ser considerados uma reinicialização única do sistema imunológico”, afirma ela. “Embora o efeito da terapia de RNA possa ser igualmente robusto, ele pode desaparecer com o tempo.” É por isso pacientes em um ensaio clínico de CAR-T com mRNA Deve ser reinfundido a cada 18 meses aproximadamente.
A terapia com células CAR-T é extremamente adaptável, afirma o Dr. Ulane. As células T podem ser modificadas para atingir células altamente específicas no corpo, além de serem personalizadas para cada paciente utilizando as próprias células do paciente.
Adaptações da terapia com células T CAR
À medida que os cientistas continuam a compreender e aprimorar a terapia com células CAR-T, descobrem novas formas de aplicá-la e aperfeiçoá-la. Uma delas consiste em direcionar um anticorpo específico na miastenia gravis. Chamado de receptor quimérico de autoanticorpo, ele tem como alvo as células B que possuem um tipo específico de anticorpo. A terapia convencional com células CAR-T tem como alvo todas as células B.
“Você não está eliminando todas as células B do sistema imunológico”, diz o Dr. Ulane. “Este é um desenvolvimento adicional mais específico para um tipo de MG, neste caso, o anticorpo MuSK.”
Outras células-alvo em estudo são o CD19, uma molécula presente na superfície das células B e das células B cancerosas, e o antígeno de maturação das células B (BCMA), uma proteína encontrada em altos níveis em pessoas com mieloma múltiplo.
A terapia com células CAR-T é o "santo graal"?
A pesquisa em andamento sobre a terapia com células CAR-T para doenças autoimunes – há mais de 130 ensaios clínicos patrocinados pela indústria em curso – é empolgante, dizem os especialistas.
“É a fronteira do conhecimento sobre miastenia grave”, diz Miriam Fremier, médica e professora clínica de neurologia no Centro Médico Wexner da Universidade Estadual de Ohio. “Tem potencial para ser algo incrível, mas ainda não temos todos os detalhes.”
Dra. Aimee Payne, médica, um beneficiário de bolsa da MGFA que está investigando uma nova terapia com células T receptoras de autoanticorpos.Ela concorda. Ela e outros citam um estudo clínico realizado na Alemanha em 2021, no qual uma jovem com lúpus entrou em remissão completa e está sem tratamento e sem sintomas há quatro anos.
“Este pode ser o Santo Graal”, diz o Dr. Payne, “um tratamento único que pode induzir remissão a longo prazo”.
Mary Bolster é jornalista freelancer na área da saúde e ex-editora-chefe de Cérebro e Vida revista. Este artigo foi desenvolvido com base em pesquisa primária, incluindo entrevistas e pesquisas disponíveis publicamente sobre MG.

